Jovens e adultos podem se inscrever no projeto Redigir, da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA), a partir deste sábado (1°). Trata-se de um curso de Comunicação e Cidadania com ferramentas da Língua Portuguesa. As inscrições acontecem de sábado e quinta: nos dias 1, 6, 8, 13, 15, 20 de fevereiro.
Podem se inscrever estudantes, a partir dos 16 anos, que tenham concluído o Ensino Fundamental e não tenham estudado em universidades públicas. Os candidatos serão selecionados com base em critérios socioeconômicos.
Com duração de um semestre, o curso apresenta conceitos de gramática e redação, além de debates sobre temas atuais – o que pode ser uma ótima ferramenta de estudos para vestibulandos, viu? Os encontros acontecem semanalmente e duram cerca de 3 horas, na ECA.
Idealizado em 1999, por alunos da graduação em jornalismo da ECA, atualmente o Redigir é conduzido por alunos de diversas carreiras que se voluntariam como professores. Eles buscam tornar a comunicação cada vez mais eficiente.
Para participar, os interessados devem comparecer ao Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da USP (Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Bloco 2 – Sala 13) e preencher uma ficha de inscrição. Não existe a possibilidade do processo de modo virtual.
Os documentos necessários, acompanhados de suas respectivas cópias, para a inscrição são: RG, comprovante de renda de todos que contribuem para a renda da casa e comprovante de escolaridade (ensino médio, fundamental ou superior).
Os horários disponíveis para se inscreverem? Às quintas: das 9h às 14h ou das 18h às 21h; e aos sábados, das 9h às 14h.
(Daniel Neiva Dan Neiva /Pixabay/Lucas Paiva/FUVEST/Reprodução)
A lista de aprovados em segunda chamada no vestibular da Fuvest saiu na manhã desta sexta-feira (31). O resultado está disponível no site da instituição. Em 2020, a USP oferece 8.317 vagas.
Os aprovados terão do dia 3 de fevereiro (segunda-feira), a partir das 8h, até 4 de fevereiro, às 16h, para realizarem a matrícula virtual. É necessário ter em mãos os seguintes documentos: certificado de conclusão do curso de Ensino Médio e histórico escolar, ou diploma de curso superior devidamente registrado (original e uma cópia), documento de identidade oficial (original e uma cópia), além de uma foto 3×4 recente, tirada há menos de um ano.
Depois, o candidato deverá fazer a matrícula presencial. Os locais, datas e horários estão indicados no manual do candidato, nos quadros 3 e 5 (páginas 2 e 3). Atenção: para estar efetivamente matriculado, o estudante deve realizar as duas etapas da matrícula.
A terceira lista será divulgada no dia 7 de fevereiro e os candidatos que não passarem poderão entrar para a lista de espera a partir de 26 de fevereiro.
Após erro na correção das provas do Enem, que afetou quase 6.000 participantes, o Ministério da Educação e o Inep, responsável pelo exame, garantiram a rechecagem da nota e a resolução do problema, sem alterar o cronograma do Sisu. Apesar dos impasses, como a liminar que suspendeu a divulgação do resultado temporariamente, a lista de aprovados saiu na última terça-feira (28), como previsto.
Nessa “corrida contra o tempo”, o governo Bolsonaro decidiu refazer a conferência dos desempenhos dos candidatos, sem recalcular a proficiência dos itens usados nas provas. Isso economiza tempo, mas faz com que a segurança da prova diminua. Segundo a Folha de S. Paulo, na falta desse procedimento, “funcionários do instituto e do MEC dizem, sob condição de anonimato, que não é possível ter 100% de confiança nos resultados”. Entenda o problema da discussão:
Método TRI
Desde 2010, o Inep resolveu aplicar um novo método de avaliação dos candidatos, que fosse capaz de medir a real proficiência em uma área baseado na “coerência” dos acertos dos candidatos. O método também ficou conhecido por ser um jeito de identificar os famosos chutes na prova.
Para explicar como a Teoria de Resposta ao Item (TRI) funciona, é preciso considerar que a prova de cada área do conhecimento do Enem é elaborada prezando por um equilíbrio entre questões fáceis, médias e difíceis. Considerando o nível de dificuldade de cada questão, o Inep elabora uma função matemática, que também leva em conta mais dois parâmetros:
A do acerto casual (a chance de um candidato acertar uma questão chutando)
A de discriminação (que é a eficácia da questão em medir quem domina ou não aquele conteúdo)
Assim, é gerado um gráfico para cada questão da prova, que mostra quais as chances que um candidato com determinado nível de proficiência tem de acertá-la. Mas falta algo para fechar essa conta. O cálculo da probabilidade de acerto é sempre feito em conjunto com uma outra análise: a da coerência pedagógica. Uma prova considerada incoerente é aquela em que o candidato acerta mais questões difíceis e médias do que questões fáceis.
Por conta do erro, nem todas as questões da prova de 2019 foram pré-testadas. Ou seja, não receberam parâmetros dos itens, como os níveis de dificuldade. Para regular esses itens, o Inep precisa selecionar uma amostra aleatória de participantes.
No exame de 2019, foi usada uma amostra de 100.000 participantes, mas nela estavam inclusos resultados de parte dos quase 6.000 participantes que tiveram suas notas erradas. Assim, se fosse feito o recálculo das proficiências, isso poderia reduzir o erro padrão do exame e indicar pequenas variações na nota.
Consequentemente, tais variações poderiam alterar a lista de aprovados em cursos concorridos, por exemplo. O que seria um enorme problema.
Três cadeiras enfileiradas no fundo de uma sala de aula
(mygueart/iStock)
Muitos professores e estudantes do Brasil e do mundo enfrentam situações precárias nas escolas. Além da dificuldade para simplesmente acessarem as instituições, existem barreiras socioeconômicas que impedem que o ensino seja de qualidade e a longo prazo.
E mesmo quando essas dificuldades são superadas é possível questionar a forma como os jovens estão sendo educados. Novas metodologias são propostas de tempos em tempos. Para quem gosta dessa área, é importante conhecer o que tem sido proposto.
Por isso, separamos seis documentários que ajudam a entender melhor o cenário da educação nacional e internacionalmente. Confira:
Carregadoras de Sonhos
Para entender melhor a situação da educação em um país, é de extrema importância avaliar a rotina e as dificuldades enfrentadas pelos docentes. Neste documentário, conhecemos a história e o dia a dia de quatro professoras de escolas públicas no interior de Sergipe. Com elas, é possível notar a precariedade e os problemas estruturais do sistema educacional no Brasil. Temas como problemas com transportes públicos, dificuldades socioeconômicas e abandono familiar também são retratados.
O documentário A Educação Proibida mostra 45 experiências educativas diferentes dos padrões que conhecemos. Elas foram apresentadas em 90 entrevistas com pessoas de oito países.
A ideia foi mostrar outras possibilidades sobre a maneira como crianças e adolescentes podem aprender e apontar as falhas do modelo tradicional de escolarização.
O foco do documentário é mostrar o cenário do Ensino Médio nas escolas públicas brasileiras a partir, principalmente, da visão dos estudantes. Professores e diretores também fazem relatos sobre o tema. Além de questionar o papel da escola na formação de jovens, o documentário destaca a importância da educação e os desafios e expectativas que rondam quem está de alguma forma envolvido nessa realidade.
O documentário questiona a forma como a maioria das escolas educa os alunos, a partir de avaliações, divisões por idade, sinal para os intervalos e carteiras enfileiradas, por exemplo. Para isso, apresenta dez escolas com diferentes metodologias alternativas de ensino. Alunos, professores e gestores dão seus depoimentos sobre como foram impactados por essas instituições e as formas de aprendizado defendidas por elas, que se baseiam na autonomia e participação ativa dos estudantes.
Além de analisar o comportamento de adolescentes brasileiros dentro do ambiente escolar, o documentário mostra estudantes de diversas classes sociais discutindo temas presentes dentro e fora dos muros da escola, como banalização da violência e desigualdade social.
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– (Divulgação/Divulgação)
Girl Rising conta a história de nove garotas ao redor do mundo que tentam superar as adversidades socioeconômicas e uma série de injustiças por meio dos estudos. Gravado em países como Etiópia e Peru, o documentário conta com a narração de figuras famosas do cinema, como Meryl Streep.
A lista de aprovados em primeira chamada no vestibular 2020 da Unesp será divulgado nesta segunda-feira (28), a partir das 10h. Os candidatos podem consultar seu desempenho e resultado no site da Vunesp, fundação responsável pela elaboração e aplicação das provas. Basta acessar a aba “Resultado” e inserir o e-mail cadastrado ou CPF.
Os aprovados devem realizar a matrícula virtual, também no site da Vunesp, das 10h do dia 27 de janeiro até as 18h do dia 28. As datas de matrículas presenciais serão informadas depois da análise e aprovação das documentações fornecidas pelos candidatos na matrícula virtual. O aprovado deverá, então, levar presencialmente a lista de documentos relacionada no Manual do Candidato até a seção de graduação da unidade da Unesp que oferece seu curso.
Do início ao fim do dia, estamos rodeados de recursos tecnológicos que afetam diretamente nossa rotina. São dispositivos, ferramentas, utensílios que facilitam tarefas, obrigações e até os hobbies.
A internet, principalmente, mudou totalmente a forma como nos relacionamos com as pessoas e com o mundo ao nosso redor. Para quem se interessa por esse universo, separamos sete documentários que analisam o impacto da tecnologia na sociedade no passado, no presente e no futuro. Confira:
Atari: Game Over
Em 1982, o filme E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, era um sucesso de bilheteria e conquistava fãs ao redor do mundo. Tentando aproveitar o sucesso do filme, a Atari, empresa que atuava fortemente no mundo dos games, tecnologia em alta na época, resolveu lançar um jogo do longa.
Diferentemente da obra de Spielberg, o produto foi um fracasso e, na visão de muitos, colocou a Atari e toda a indústria de games em xeque. Criou-se então uma lenda de que o prejuízo foi tão absurdo que a empresa teria enterrado os cartuchos do jogo no deserto do Novo México. A Atari, que até então ditava as regras na indústria dos games, abriu caminho para novos gigantes, como a Nintendo.
A partir dessa premissa surgiu o documentário. Uma equipe vai até o local onde estariam esses cartuchos e usa isso como fio condutor para explicar a história da Atari e do setor de games nas décadas de 1970 e 1980.
Dark Net é uma série documental que explora a questão do uso do mundo cibernético e da tecnologia como um todo para fins perigosos e criminosos. Além de mostrar as práticas que são realizadas nos lugares mais sombrios da internet, a obra também apresenta as pessoas que usam a rede dessa forma.
O documentário mostra uma competição entre um humano e um software. Durante uma disputa do jogo de tabuleiro Go, o campeão mundial da modalidade, Lee Sedol, enfrenta cinco partidas contra a AlphaGo.
Desenvolvida especialmente para competir nesse jogo, a partir de inteligência artificial, a tecnologia foi criada pela empresa DeepMind, posteriormente comprada pelo Google.
Banking on Bitcoin
Com Banking on Bitcoin é possível conhecer melhor o universo que envolve a criptomoeda: sua criação, ascensão, problemas no setor, escândalos e fraudes. Repleto de entrevistas com especialistas no setor, é interessante analisar o que está por trás da tecnologia e o porquê de tantas pessoas se envolverem com ela.
Eis os Delírios Do Mundo Conectado
Já parou para pensar no quanto a sociedade está altamente dependente da tecnologia? Seja no trabalho, na comunicação, nos relacionamentos, no transporte ou na alimentação, novas ferramentas aparecem e se tornam parte da rotina. E a internet tem um papel fundamental nessa relação.
Dessa forma, o documentário explora os impactos causados na vida das pessoas por causa das tecnologias, além de apresentar entrevistas com diversas referência na área, como desenvolvedores, empreendedores do ramo e pesquisadores.
A representatividade das mulheres no setor da tecnologia é baixa e o preconceito com as poucas que se destacam é grande. Codegirl mostra como elas estão superando essas barreiras. São diversas garotas de várias partes do mundo envolvidas em uma competição de tecnologia. A ideia é desenvolver um aplicativo que ajude a resolver os problemas de suas comunidades.
O documentário permite entender um pouco melhor como Steve Jobs revolucionou a maneira como as pessoas lidam e se relacionam com a tecnologia. A obra conta com entrevistas com pessoas próximas da mente por trás da Apple e que chegaram a trabalhar com Jobs durante suas duas passagens pela empresa. A partir da análise de como ele conseguiu impactar o comportamento das pessoas com ideias e produtos, é possível notar sua influência no setor tecnológico.
(Governo do Estado de São Paulo/Flickr/Reprodução)
A lista de aprovados em primeira chamada no vestibular da Fuvest sairá na manhã desta sexta-feira. O resultado estará disponível no site da instituição. Mais informações sobre as etapas virtual e presencial da matrícula também serão publicadas.
Os aprovados terão do dia 25 de janeiro, a partir das 8h, até 28 de janeiro para realizarem a matrícula virtual. É necessário ter em mãos os seguintes documentos: certificado de conclusão do curso de Ensino Médio e histórico escolar, ou diploma de curso superior devidamente registrado (original e uma cópia), documento de identidade oficial (original e uma cópia), além de uma foto 3×4 recente, tirada há menos de um ano.
Depois, o candidato deverá fazer a matrícula presencial. Os locais, datas e horários estão indicados no manual do candidato, nos quadros 3 e 5 (páginas 2 e 3). Atenção: para estar efetivamente matriculado, o estudante deve realizar as duas etapas da matrícula.
Ao escolher a profissão que você irá exercer, é importante levar em conta uma série de fatores, como suas principais características, seu perfil, pontos negativos e positivos, gostos e afinidades. Quanto maior o seu autoconhecimento, maior a chance de se dar bem nessa fase, encontrando algo que realmente tem a ver como você e te trará realização profissional.
Se você gosta de se comunicar, seja para grandes públicos ou em conversas sobre os mais variados assuntos, temos algumas dicas de carreiras para você. Essas profissões logicamente vão além de passar o dia falando com outras pessoas, mas elas podem ser um bom ponto de partida para tomar sua decisão.
O advogado precisa ter a capacidade de se comunicar da melhor maneira possível para conseguir defender os interesses de seus clientes. Independentemente da área de atuação ou se estiver em um escritório, fórum ou tribunal, ter uma boa oratória fará toda a diferença. Vale destacar que o profissional também precisa saber se comunicar de uma forma eficaz, com bons argumentos, mesmo em situações de pressão.
No Jornalismo suas palavras são suas maiores ferramentas de trabalho. Seja na televisão, na internet, no rádio ou em jornais e revistas, esse profissional precisa ser capaz de apurar uma série de informações e passá-las para seu público de uma forma clara e objetiva.
Além disso, outras áreas do Jornalismo também exigem que a pessoa saiba se comunicar para poder produzir conteúdo, pois é preciso conversar com fontes, assessores, figuras públicas e todos os envolvidos.
Para conseguir passar os conteúdos da melhor forma possível para estudantes de todas as idades é preciso ter uma boa didática e ter a desenvoltura para falar por horas na frente de várias pessoas. Os professores precisam fazer com que temas muitas vezes complexos e abstratos se tornem acessíveis.
O profissional de Relações Públicas é responsável por cuidar da imagem de empresas e instituições frente ao público externo (clientes, fornecedores, imprensa) e interno (funcionários). Para isso, precisa construir uma boa relação com esses grupos, posicionado cada um sobre ações, valores e metas da organização. Boa parte do trabalho de um RP é, por exemplo, conversar com jornalistas sobre informações de seus clientes que possam ser veiculadas em uma reportagem.
Conquistar grandes públicos por meio de bons discursos, diálogos e histórias é uma das ferramentas da dramaturgia. Atores, produtores e diretores se empenham em construir narrativas que possam convencer as pessoas de uma realidade e se envolverem com ela.
As inscrições para a edição do primeiro semestre de 2020 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) estão abertas a partir desta terça-feira (21). O programa disponibiliza vagas de graduação em diversas universidades públicas brasileiras.
Os candidatos, que teriam até o dia 24, por conta do erro na correção, terão mais dois dias (até o dia 26 de janeiro) para se inscrever no site.
Na hora do cadastro, é necessário informar o número de inscrição do Enem 2019 e a senha mais atual cadastrada no Enem. Os candidatos poderão se inscrever para duas opções de vaga. Aqueles que não forem selecionados na chamada regular poderão escolher, para a lista de espera, a primeira ou segunda opção preenchida na inscrição. Em junho os estudantes podem se inscrever novamente.
“Funciona como uma bolsa de valores: eles vão selecionando os cursos e acompanhando o processamento a cada virada de dia, verificando suas posições”, explica Fernando da Espiritu Santo, gerente de inteligência educacional e avaliações do Sistema de Ensino Poliedro. A dica dele é: não é hora de fazer apostas, ou seja, não espere que a nota caia no último dia.
Lembrando que para participar do Sisu em 2020, é preciso ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2019. Além disso, não pode ter zerado na nota da redação.
Os resultados individuais do Enem foram divulgados na manhã desta sexta-feira (17). Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame de 2019 teve 53 notas 1.000 na redação. Na edição anterior, 55 redações contabilizaram a nota máxima.
O carioca Gabriel Lopes, 20 anos, foi um dos estudantes que comemoraram a excelência na redação. Depois do terminar o Ensino Médio em uma escola estadual na Zona Norte do Rio de Janeiro. “Todo candidato sonha em tirar o 1000, claro, mas eu também sabia da dificuldade, apesar de todo esforço”. Agora, o estudante, aluno do cursinho pH, sonha com uma vaga em Medicina, pelo Sisu, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Gabriel conta que a sua principal estratégia de preparação para a redação foi analisar textos exemplares que receberam nota máxima nas edições anteriores. “É uma boa maneira de conhecer novas palavras e conectivos para usar na dissertação. Eu observava métodos que funcionaram para construir uma boa argumentação e adaptava para criar um texto com a minha identidade de escrita.”
Sua preparação também incluía montar mapas mentais, selecionando temas possíveis e organizando linhas de argumentação que poderia seguir. “Eu escrevia mais parágrafos soltos do que textos completos”, lembra.
O estudante foi além das aulas de redação e das oficinas de produção textual e passou a ver tudo como um possível tema de redação. Quando assistia a jornais na TV, por exemplo, pensava nos possíveis temas que poderiam ser gerados a partir das notícias. Durante as aulas de História, Filosofia e Sociologia, buscava guardar alusões históricas e pensamentos de teóricos citados para embasar suas argumentações. “Pode parecer meio neurótico, mas é algo que me fazia pensar sobre as possibilidades de propostas para não ser muito surpreendido com o tema e nem ficar sem saber como abordá-lo”.
No dia da prova
Após ler a proposta “Democratização do acesso ao cinema no Brasil” e os textos de apoio, Gabriel fez o que vinha treinando: antes de começar a colocar no papel, criou o texto inteiro mentalmente. “A primeira coisa que eu pensei foram duas linhas para seguir a minha argumentação, uma para cada parágrafo. Questionei: ‘será que essas linhas são boas?’ ‘será que eu vou conseguir fazer uma proposta de intervenção?’. Quando eu estava satisfeito com as duas linhas, aí pensei em como ia estruturar melhor o texto e então comecei a escrever”, conta.
Para sustentar seus argumentos e depois propor uma intervenção, como sugere o Enem, Gabriel usou o filme Na Quebrada, de Fernando Grostein Andrade, sobre histórias reais de jovens da periferia de São Paulo, que utilizaram aulas de Cinema para alcançar uma nova perspectiva de vida. Além disso, ele citou os teóricos Theodor W. Adorno e Max Horkheim, abordando sobre monetização da arte e indústria cultural, e Vera Maria Candau, para falar sobre o sistema educacional do Brasil e como o aluno se relaciona com a cultura e a Arte na escola.
Confira a redação nota 1.000 de Gabriel:
Democratização do acesso ao cinema no Brasil
O longa-metragem nacional “Na Quebrada” revela histórias reais de jovens da periferia de São Paulo, os quais, inseridos em um cenário de violência e pobreza, encontram no cinema uma nova perspectiva de vida. Na narrativa, evidencia-se o papel transformador da cultura por intermédio do Instituto Criar, que promove o desenvolvimento pessoal, social e profissional dos alunos por meio da sétima arte. Apresentando-se como um retrato social, tal obra, contudo, ainda representa a história de parte minoritária da população, haja vista o deficitário e excludente acesso ao cinema no Brasil, sobretudo às classes menos favorecidas. Todavia, para que haja uma reversão do quadro, faz-se necessário analisar as causas corporativas e educacionais que contribuem para a continuidade da problemática em território nacional.
Deve-se destacar, primeiramente, o distanciamento entre as periferias e as áreas de consumo de arte. Acerca disso, os filósofos Adorno e Horkheimer, em seus estudos sobre a “Indústria Cultural”, afirmaram que a arte, na era moderna, tornou-se objeto industrial feito para ser comercializado, tendo finalidades prioritariamente lucrativas. Sob esse prisma, empresas fornecedoras de filmes concentram sua atuação nas grandes metrópoles urbanas, regiões onde prevalece a população de maior poder aquisitivo, que se mostra mais disposta a pagar um maior valor pelas exibições. Essa prática, no entanto, fomenta uma tendência segregatória que afasta o cinema das camadas menos abastadas, contribuindo para a dificuldade na democratização do acesso a essa forma de expressão e de identidade cultural no Brasil.
Ademais, uma análise dos métodos da educação nacional é necessária. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação do indivíduo com a cultura desde os primeiros anos escolares, fruto de uma educação tecnicista e pouco voltada para a formação cidadã do aluno. Dessa forma, com aulas voltadas para memorização teórica, o sistema educacional vigente pouco estimula o contato do estudante com as diversas formas de expressão cultural e artística, como o cinema, negligenciando, também, o seu potencial didático, notável pela sua inerente natureza estimulante. Tal cenário reforça a ideia da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Assim, com a carência de um ensino que desperte o interesse dos alunos pelo cinema, a escola contribui para um afastamento desses indivíduos em relação ao cinema, o que constitui um entrave para que eles, durante a vida, tornem-se espectadores ativos das produções cinematográficas brasileiras e internacionais.
É evidente, portanto, que a dificuldade na democratização do acesso ao cinema no Brasil é agravada por causas corporativas e educacionais. Logo, é necessário que a Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania torne tais obras mais alcançáveis ao corpo social. Para isso, ela deve estabelecer parcerias público-privadas com empresas exibidoras de filmes, beneficiando com isenções fiscais aquelas que provarem, por meio de relatórios semestrais, a expansão de seus serviços a preços populares para regiões fora dos centros urbanos, de forma que, com maior oferta a um maior número de pessoas, os indivíduos possam efetivar o seu uso para o lazer e para o seu engrandecimento cultural. Paralelamente, o Ministério da Educação deve levar o tema às escolas públicas e privadas. Isso deve ocorrer por meio da substituição de parte da carga teórica da Base Nacional Comum Curricular por projetos interdisciplinares que envolvam exibição de filmes condizentes com a prática pedagógica e visitas aos cinemas da região da escola, para que se desperte o interesse do aluno pelo tema ao mesmo tempo em que se desenvolve sua consciência cultural e cidadã. Nesse contexto, poder-se-á expandir a ação transformadora da sétima arte retratada em “Na Quebrada”, criando um legado duradouro de acesso à cultura e de desenvolvimento social em território nacional.
Além de todas táticas e estratégias, o estudante fala da importância de trabalhar o psicológico para o dia da prova. “Eu acredito que metade do desempenho em uma prova como o Enem, que é pura pressão, é estar calmo. E isso é uma construção, cuidando da própria mente: terapia e meditação, por exemplo”, aconselha.